Expandir um negócio de alimentos para além das fronteiras nacionais exige mais do que produto, distribuição e estratégia comercial. A etapa de rotulagem pode se tornar um dos pontos mais sensíveis do processo, porque cada mercado possui regras próprias para ingredientes, alergênicos, tabela nutricional, idioma, declarações obrigatórias e informações legais. Na FoodTekPack Conference 2026, realizada em Gandhinagar, na Índia, Rashida Vapiwala, fundadora da LabelBlind, apresentou uma visão prática de como a automação de rótulos pode ajudar marcas de alimentos a lidar com exigências regulatórias em diferentes países, conforme a cobertura do evento.
É o uso de plataformas digitais, bancos de dados regulatórios e fluxos de trabalho estruturados para gerar rótulos adequados às exigências de diferentes mercados. A tecnologia centraliza informações como ingredientes, alergênicos, dados nutricionais e declarações obrigatórias, adaptando o conteúdo do rótulo para cada país ou região. Na prática, esse modelo pode reduzir revisões manuais, diminuir riscos de erro, acelerar a preparação para exportação e apoiar a consistência das informações impressas nas embalagens.
À medida que marcas indianas de alimentos buscam presença em mercados como Estados Unidos, Canadá, Austrália, países do Golfo, Sudeste Asiático, Reino Unido e União Europeia, a conformidade regulatória passa a ser um requisito estratégico. Segundo Vapiwala, cada país possui exigências específicas, o que torna a gestão manual de rótulos mais sujeita a retrabalho, atraso e inconsistência.
1. O desafio da conformidade em múltiplos mercados
Para fabricantes de alimentos, expandir para mercados internacionais exige adequar a embalagem e, principalmente, o rótulo às regulamentações do país de destino. Esse ponto é crítico porque a embalagem não comunica apenas marca e apelo comercial; ela também carrega informações legais, nutricionais, sanitárias e logísticas.
As diferenças regulatórias podem envolver:
- Declaração de ingredientes: formatos específicos, ordem de apresentação e necessidade de destacar determinados componentes.
- Alergênicos: identificação obrigatória de alérgenos, que pode variar entre regiões e categorias de produto.
- Informação nutricional: apresentação por porção, por 100 g ou em formatos específicos exigidos pelo mercado-alvo.
- Idiomas: tradução para idiomas oficiais e adaptação de terminologia regulatória.
- Declarações obrigatórias: dados do importador, país de origem, instruções de armazenamento, informações de atendimento ao consumidor e exigências de metrologia legal.
A complexidade tende a aumentar quando uma mesma marca comercializa produtos em diferentes geografias, pois os requisitos podem mudar conforme o país, a categoria do alimento, a composição da receita e as alegações utilizadas na embalagem.
2. LabelBlind e a plataforma FoLSol: uma solução integrada
A apresentação de Vapiwala posicionou a automação como uma forma de organizar esse processo. A plataforma da LabelBlind, chamada FoLSol, é apresentada pela empresa como uma solução para rotulagem alimentar e conformidade regulatória, com foco em geração de rótulos para múltiplos mercados. Segundo o site da LabelBlind, a solução atua em rotulagem de alimentos embalados, importação e exportação, rotulagem de cardápios, nutracêuticos e rotulagem frontal.
A plataforma aborda requisitos de rotulagem em 22 países e mercados, incluindo Estados Unidos, Canadá, países do Golfo, Reino Unido, União Europeia e Sudeste Asiático, conforme informado pela empresa em sua página da solução FoLSol.
O fluxo de trabalho da FoLSol para geração de um rótulo alimentício segue um processo estruturado:
2.1. Criação de dados mestre
O processo começa com a criação de dados mestre para a empresa e suas marcas. Informações como endereços, canais de atendimento ao consumidor e instruções de armazenamento podem ser cadastradas uma vez e reutilizadas em diferentes produtos e rótulos.
2.2. Banco de dados de ingredientes e receitas
De acordo com a cobertura da apresentação, a FoLSol trabalha com uma base de aproximadamente 30.000 ingredientes, incluindo produtos alimentícios crus e processados. Ingredientes específicos da formulação de uma empresa também podem ser mapeados no sistema para compor receitas e declarações regulatórias.
2.3. Geração automatizada de rótulos
Após a inserção da receita, o sistema pode ser usado para criar um rótulo por meio de um fluxo de trabalho automatizado, que:
- Organiza a lista de ingredientes em ordem decrescente de quantidade.
- Destaca ingredientes que exigem declaração percentual quando aplicável.
- Extrai valores nutricionais do banco de dados para compor a declaração nutricional exigida.
- Integra declarações obrigatórias, endereços, dados de atendimento ao consumidor e instruções de armazenamento a partir dos dados mestre.
O fluxo também considera requisitos relacionados à gestão de resíduos plásticos e à metrologia legal, pontos relevantes para países que exigem informações adicionais na embalagem.
3. Além da economia de tempo: consistência e escalabilidade
A importância da automação vai além da economia de tempo. Para empresas que gerenciam grandes portfólios de produtos, mudanças em formulações, ingredientes, fornecedores ou regulamentações podem exigir revisões frequentes nas informações da embalagem.
Um fluxo de trabalho digital estruturado pode reduzir a intervenção manual, melhorar a rastreabilidade das informações e aumentar a consistência dos rótulos. Isso é relevante para marcas que precisam manter identidade visual e comunicação padronizadas em diferentes mercados, ao mesmo tempo em que cumprem exigências locais.
4. O futuro da rotulagem: integração e inteligência
A apresentação demonstrou que ferramentas automatizadas de rotulagem podem ajudar a conectar formulação, banco de dados de ingredientes, requisitos regulatórios e arte final. Para fabricantes que pretendem exportar, preparar um produto para um mercado internacional envolve validar o conteúdo, a segurança, a comunicação de ingredientes e cada informação obrigatória presente na parte externa da embalagem.
Essa integração tende a aproximar as áreas de desenvolvimento de produto, qualidade, assuntos regulatórios, marketing, pré-impressão e fornecedores gráficos. Para empresas que imprimem por flexografia, impressão digital ou outros processos, a qualidade do dado aprovado passa a ser tão importante quanto a qualidade da impressão.
5. Como a automação pode beneficiar sua empresa
Para empresas que estão avaliando automação de rótulos, os principais benefícios potenciais incluem:
- Redução de erros: a automação pode diminuir riscos associados à interpretação manual de requisitos regulatórios.
- Agilidade: a geração estruturada de rótulos para múltiplos mercados pode reduzir o tempo de preparação para lançamento.
- Consistência: informações obrigatórias tendem a ser apresentadas com maior padronização entre produtos e mercados.
- Escalabilidade: facilita a gestão de portfólios maiores e a adaptação a mudanças regulatórias.
- Controle documental: melhora a rastreabilidade de versões, aprovações e dados utilizados no rótulo.
Conclusão
A automação de rótulos vem se tornando cada vez mais relevante para fabricantes de alimentos que buscam atuar em mercados globais. A apresentação de Rashida Vapiwala na FoodTekPack Conference 2026 mostrou como plataformas como a FoLSol, da LabelBlind, podem apoiar a transformação da conformidade regulatória em um fluxo de trabalho digital mais estruturado. Ao centralizar dados, automatizar etapas de geração de rótulos e apoiar a adaptação a exigências de múltiplos mercados, essas ferramentas podem ajudar marcas a reduzir erros, acelerar revisões e preparar produtos para a prateleira internacional com maior controle.
Referências e créditos
- Packaging South Asia. (2026). Automating food labels for global markets.
- LabelBlind – Plataforma de rotulagem e conformidade alimentar.
- FoLSol. Packed Food Labelling Software.
- Packaging South Asia. (2026). Food compliance and innovation at FoodTekPack 2026.
- FoodTekPack 2026 – Conferência de processamento e embalagem de alimentos.
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