A indústria brasileira do plástico acompanha com preocupação a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre determinados produtos brasileiros exportados aos Estados Unidos. A ABIPLAST (Associação Brasileira da Indústria do Plástico) manifestou preocupação com a medida, confirmada pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) em 15 de julho de 2026 e aplicada a partir de 22 de julho, conforme comunicado oficial do USTR. Para a entidade, a nova tarifa agrava um cenário de pressão sobre as exportações nacionais e reforça a necessidade de negociação entre os governos.
A ABIPLAST alerta que a tarifa adicional de 25% aplicada pelos Estados Unidos sobre determinados produtos brasileiros pode gerar perdas estimadas entre US$ 1,5 bilhão e US$ 2 bilhões para exportações ligadas direta ou indiretamente ao setor de transformados plásticos. A medida pode reduzir a competitividade da indústria nacional, afetar principalmente pequenas e médias empresas exportadoras e gerar reflexos em cadeias produtivas que utilizam plástico como matéria-prima, embalagem ou componente.
A medida é resultado de investigação conduzida pelo USTR com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. Segundo o órgão norte-americano, a decisão envolve práticas brasileiras consideradas, pelos Estados Unidos, restritivas ao comércio em temas como comércio digital, serviços de pagamento eletrônico, propriedade intelectual, etanol e acesso a mercados. No diagnóstico divulgado pela ABIPLAST, as exportações brasileiras para o mercado norte-americano já vinham registrando retração, com impacto relevante sobre bens industriais.
1. Impactos diretos no setor de transformados plásticos
Apesar da retração, os Estados Unidos continuam sendo um mercado relevante para as exportações da indústria de transformação brasileira. A importância do mercado norte-americano para a indústria brasileira de transformados plásticos ajuda a dimensionar os efeitos da nova tarifa. Segundo a ABIPLAST, o setor vinha investindo em modernização industrial, tecnologias de menor impacto e expansão fabril, além de ampliar presença exportadora, especialmente em mercados vizinhos.
Segundo o presidente do Conselho da ABIPLAST, José Ricardo Roriz, a nova tarifa pode comprometer exportações brasileiras ligadas direta ou indiretamente ao setor plástico, com perdas estimadas entre US$ 1,5 bilhão e US$ 2 bilhões. O setor de transformados plásticos participa de diversas cadeias produtivas da economia, seja por meio de produtos, componentes técnicos ou embalagens.
2. Cadeias produtivas afetadas: o efeito dominó
Os efeitos da nova tarifa podem ultrapassar o setor plástico e afetar diferentes segmentos da indústria brasileira. A cadeia de transformados plásticos abastece setores como alimentos, bebidas, saúde, construção civil, agronegócio, higiene, limpeza, automotivo e bens de consumo.
Segundo a ABIPLAST, o impacto não deve ficar restrito às empresas que exportam diretamente para os Estados Unidos. A medida pode atingir cadeias produtivas que dependem do plástico como matéria-prima, embalagem ou componente, elevando custos, reduzindo a competitividade das exportações e afetando empresas de diferentes portes.
Os principais setores citados como potencialmente afetados são:
- Alimentos – embalagens e componentes plásticos essenciais para a cadeia de produção.
- Bebidas – garrafas, tampas e outros itens de plástico utilizados na indústria.
- Saúde e Indústria farmacêutica – equipamentos, embalagens e insumos plásticos críticos.
- Agronegócio – silos, lonas, tubos e conexões para irrigação e armazenamento.
- Indústria automotiva – peças e componentes plásticos para veículos.
- Construção civil – tubos, conexões, perfis e outros materiais de construção.
Em todos esses casos, o plástico aparece em embalagens, peças técnicas, componentes industriais, tubos, conexões, silos, lonas e outros itens de apoio à produção. Eventuais aumentos de custos podem atingir fabricantes de bens de consumo e segmentos que utilizam o material em seus processos.
3. O alerta para pequenas e médias empresas (PMEs)
Um dos pontos mais sensíveis do alerta da ABIPLAST é o impacto sobre pequenas e médias empresas exportadoras com dependência relevante das vendas aos Estados Unidos. Para muitas delas, a perda de competitividade decorrente da tarifa de 25% pode comprometer margens, planejamento comercial e manutenção das operações, tornando necessárias medidas de apoio enquanto se busca uma solução para o impasse comercial.
Roriz destaca que a tarifa de 25% reduz a competitividade do Brasil em um mercado consumidor relevante para produtos plásticos. Na avaliação da entidade, o Brasil passa a disputar espaço em condições menos favoráveis que as de concorrentes não submetidos à mesma tarifa.
4. Defesa da negociação e da reciprocidade responsável
A ABIPLAST defende que o caminho para superar o impasse é a negociação entre os governos. A entidade ressalta que a substituição do mercado norte-americano por outros destinos não ocorre de forma imediata. Mercados com elevada capacidade produtiva e forte competitividade internacional tornam mais difícil a conquista rápida de novos espaços.
Diante da escalada protecionista, a ABIPLAST recomenda cautela e diálogo. A entidade defende que o Brasil evite decisões precipitadas e busque, por meio da diplomacia comercial, alternativas que minimizem danos à indústria nacional.
5. O que esperar daqui para frente?
A entrada em vigor da tarifa de 25% em 22 de julho marca o início de um período de incertezas para o setor de transformados plásticos e para cadeias produtivas que dependem do material. A ABIPLAST continuará monitorando os desdobramentos e defendendo diálogo institucional para mitigar os efeitos da medida.
Para as empresas do setor, o momento exige planejamento estratégico, revisão de portfólio de clientes e busca por novos mercados. A diversificação de destinos e a inovação em produtos com maior valor agregado podem ser caminhos para reduzir a dependência do mercado norte-americano e aumentar a resiliência do negócio.
Conclusão
A tarifa adicional de 25% aplicada pelos Estados Unidos sobre determinados produtos brasileiros representa um risco relevante para a indústria de transformados plásticos e para cadeias produtivas associadas. Com perdas estimadas entre US$ 1,5 bilhão e US$ 2 bilhões, segundo a ABIPLAST, a medida pode comprometer a competitividade do Brasil no mercado internacional e pressionar especialmente pequenas e médias empresas exportadoras. A entidade defende que a solução passe pela negociação entre os governos, evitando decisões que possam agravar o cenário. Para as empresas do setor, o momento exige planejamento estratégico, inovação, revisão de custos e diversificação de mercados.
Referências e créditos
- ABIPLAST. (2026). ABIPLAST ALERTA PARA IMPACTOS DA TARIFA DE 25% DOS ESTADOS UNIDOS E DEFENDE NEGOCIAÇÃO ENTRE OS GOVERNOS.
- USTR. (2026). Section 301 Action on Brazil’s Unreasonable Acts, Policies, and Practices.
- Valor Econômico. (2026). Setor do plástico estima perdas de até US$ 2 bilhões com tarifa adicional de Trump.
- Times Brasil | CNBC. (2026). Tarifa dos EUA: veja os 7 setores que podem sentir os efeitos além da indústria do plástico.
- Brasil de Fato. (2026). Tarifa adicional de 25% dos EUA contra produtos brasileiros passa a valer nesta quarta (22).
- G1. (2026). EUA confirmam nova tarifa de 25% sobre produtos brasileiros.
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