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Controle de processo: o motor oculto da lucratividade na flexografia

Controle de processo: o motor oculto da lucratividade na flexografia A indústria de embalagens flexíveis vive uma fase de transformação tecnológica, com avanços em impressão, materiais, automação e controle de dados. Ainda assim, um fator crítico continua afetando a rentabilidade das operações: a variabilidade de processo. Esse foi um dos pontos centrais apresentados por Tarak […]

por | 09 junho 2026 | Notícias

Controle de processo: o motor oculto da lucratividade na flexografia

A indústria de embalagens flexíveis vive uma fase de transformação tecnológica, com avanços em impressão, materiais, automação e controle de dados. Ainda assim, um fator crítico continua afetando a rentabilidade das operações: a variabilidade de processo. Esse foi um dos pontos centrais apresentados por Tarak Trifaley, diretor de vendas regionais da Polymount India, durante a Flexo Forward Conference, realizada em 5 de junho de 2026, em Ahmedabad, na Índia. O evento foi organizado conjuntamente por apex International, Miraclon, Bobst e Polymount, reuniu mais de 200 profissionais e teve como tema central a otimização de processos e a maximização da lucratividade, conforme cobertura do THE PACKMAN.

O evento foi estruturado em torno de uma ideia central: em um mercado competitivo, com prazos curtos e margens pressionadas, a lucratividade não depende apenas da velocidade da máquina ou de avanços tecnológicos isolados. Ela depende da capacidade de controlar, medir e padronizar os estágios da produção. Trifaley desafiou os participantes a olhar além dos equipamentos e focar nas fontes ocultas de ineficiência que continuam afetando qualidade de impressão, geração de resíduos e custos operacionais.

1. A montagem de chapas: o ponto cego da produtividade

Trifaley iniciou sua apresentação apontando uma contradição no setor: enquanto as impressoras se tornaram mais rápidas e sofisticadas, e as chapas e anilox evoluíram consideravelmente, uma etapa do fluxo de trabalho permaneceu relativamente pouco questionada em muitas operações: a montagem de chapas (plate mounting). Segundo ele, muitas perdas são aceitas como normais porque existem há anos, mas na prática podem se tornar geradoras sistemáticas de perdas que impactam produtividade e lucratividade segundo o THE PACKMAN.

Ele explicou que variações na espessura da fita de montagem, aprisionamento de ar durante o processo e compressão gradual das camadas de espuma podem criar inconsistências que comprometem o desempenho da impressão. Essas variações contribuem para problemas comuns na flexografia, como ganho de ponto (dot gain), defeitos de impressão e falhas de registro — fatores que aumentam desperdício e reduzem eficiência.

A solução sugerida por Trifaley está na redução da variabilidade sempre que possível. Ao eliminar etapas desnecessárias e introduzir métodos de montagem mais estáveis, os convertedores podem alcançar maior repetibilidade entre trabalhos. A mensagem técnica é direta: é possível padronizar impressoras, chapas e cilindros anilox, mas se a inconsistência entrar na fase de montagem, o processo dificilmente será controlado de forma completa.

💡 Dica de Especialista: A abordagem tradicional de aceitar certas perdas como “normais” é um dos maiores obstáculos à excelência operacional. Identificar e quantificar as perdas ocultas na montagem de chapas — como tempo extra de ajuste, desperdício de substrato nas partidas e variabilidade de qualidade entre turnos — é o primeiro passo para transformar a montagem em uma vantagem competitiva. A Flexo In Foco pode ajudar sua empresa a mapear perdas na etapa de montagem e implementar métodos de padronização com foco em redução de desperdício, estabilidade de processo e ganho de produtividade.

2. OEE e automação: desbloqueando capacidade oculta

Outro palestrante de destaque foi Rainer Rosenbusch, da Bobst, que abriu as discussões técnicas abordando a importância do OEE (Overall Equipment Effectiveness) como indicador de lucratividade operacional. Segundo ele, muitos convertedores podem obter ganhos sem investir imediatamente em novos equipamentos, maximizando o desempenho dos ativos existentes. A lógica é simples: quando se quer melhorar, é preciso medir conforme a cobertura técnica do evento.

Rosenbusch destacou que impressoras modernas geram grandes volumes de dados operacionais. Por meio do Bobst Connect, plataforma digital aberta da Bobst, os convertedores podem monitorar o desempenho das máquinas e integrar dados de diferentes sistemas de produção, incluindo impressão, extrusão, corte e outros processos industriais.

Ele também enfatizou que o projeto da máquina influencia diretamente qualidade e eficiência. Características como sistemas de secagem de duplo circuito, estruturas robustas e mecanismos de controle de vibração ajudam a reduzir instabilidades da impressora. O chamado bouncing é um problema relevante na flexografia, pois afeta sólidos, meios-tons e a consistência geral da impressão.

Um dos focos de sua apresentação foi a redução de desperdício durante as trocas de trabalho. As tecnologias SmartSet e SmartGPS da Bobst automatizam configurações de registro e impressão, permitindo que a impressora se aproxime rapidamente das condições corretas de produção. Segundo a explicação apresentada, o suporte de montagem fornece dados para a máquina, permitindo pré-configuração antes do início efetivo da produção.

📘 Contexto técnico: SmartGPS na prática
Rosenbusch demonstrou resultados associados ao SmartGPS, destacando zonas de desperdício mais curtas durante trocas de trabalho. A lógica operacional é que, quanto mais rapidamente a máquina atinge registro e condição de impressão, mais tempo ela passa produzindo material vendável. O texto-base cita clientes com até 30 trocas de trabalho em 24 horas usando a tecnologia; como esse número depende do mix de produção, da máquina e da rotina operacional, o uso mais seguro é tratá-lo como exemplo de aplicação, não como promessa universal de desempenho. A Bobst também trabalha com integração entre montagem automatizada de chapas e SmartGPS para criar fluxos mais conectados.

3. Padronização e o desafio da complexidade

Hrishikesh Kulkarni, gerente regional de vendas da Miraclon, argumentou que um dos grandes desafios enfrentados pelos convertedores é a complexidade do processo. Segundo ele, os convertedores estão sob pressão para alcançar mais com menos: menos desperdício, menos tempo de inatividade, menor consumo de energia e menos pontos de contato na produção, mantendo alto padrão de qualidade de impressão conforme síntese do evento.

Kulkarni sugeriu que o maior obstáculo da indústria não é necessariamente a tecnologia, mas a dependência de práticas tradicionais que introduzem variabilidade desnecessária. A intervenção excessiva do operador, quando não é apoiada por padrões de processo, pode gerar resultados inconsistentes e custos ocultos. Tempo extra de preparação, solução de problemas, desperdício e retrabalho muitas vezes permanecem invisíveis, mas afetam diretamente a lucratividade.

Para a Miraclon, a resposta está na simplificação e na repetibilidade. Ao reduzir variáveis e estabelecer fluxos de trabalho padronizados, os convertedores podem prever resultados com mais precisão e alcançar maior consistência entre trabalhos.

4. A gestão de anilox como pilar da consistência

Mahesh Mense, gerente de vendas da apex International, complementou o quadro ao destacar como a gestão eficaz de anilox pode melhorar a consistência da impressão, a eficiência operacional e a lucratividade. Ele apontou que, embora a tecnologia flexo tenha evoluído, os convertedores continuam enfrentando desafios decorrentes de múltiplas variáveis na impressora, incluindo chapas, tintas, substratos, rolos anilox e lâminas raspadoras segundo o THE PACKMAN.

Segundo Mense, uma das questões mais críticas na flexografia é manter a transferência de tinta consistente. A inconsistência pode decorrer de estoques amplos de consumíveis de vários fornecedores, o que aumenta tempos de configuração, desperdício e necessidades de manutenção.

Para otimizar o desempenho, a apex defende uma abordagem baseada em cinco pilares: padronizar inventários de anilox, adotar tecnologias de gravação adequadas, implementar procedimentos de limpeza e manutenção, garantir armazenamento e manuseio corretos e realizar auditorias regulares. O objetivo é manter um conjunto mínimo, porém suficiente, de anilox para a produção.

5. O fator humano e a cultura de medição

Um tema presente nas apresentações foi o papel do fator humano na variabilidade do processo. Automação e tecnologia oferecem ferramentas poderosas, mas a sustentabilidade dos ganhos depende de cultura operacional, treinamento e disciplina de processo. A dependência excessiva de operadores experientes para resolver problemas na impressora, quando não é apoiada por padrões claros, pode gerar inconsistência e custos ocultos.

Da mesma forma, Trifaley defendeu que a indústria precisa questionar práticas antigas aceitas como “normais”. A criação de uma cultura de medição — na qual o desperdício é quantificado, os tempos de acerto são cronometrados e a qualidade é monitorada — é o primeiro passo para transformar variabilidade em controle, e controle em resultado financeiro.

Conclusão: eficiência + consistência = lucratividade

A mensagem final da Flexo Forward Conference foi sintetizada por Trifaley em uma equação simples: “eficiência do trabalho mais consistência é igual a lucratividade”. Em um cenário de margens apertadas e concorrência acirrada, os convertedores que dominarem o controle de processo — da montagem de chapas à gestão de anilox e ao uso inteligente de dados de OEE na flexografia — tendem a reduzir custos, desperdícios e instabilidade operacional. O futuro da flexografia não é apenas mais rápido; é mais previsível, mais controlado e mais rentável.


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